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Já há algum tempo, as mães se conscientizaram sobre os perigos do bisfenol A (BPA, um produto químico usado em muitos tipos de recipientes, incluindo as mamadeiras. O BPA é usado para endurecer plásticos, prevenir a contaminação de alimentos e impedir que as latas enferrujem. Nos últimos anos, vários estudos confirmaram que o BPA afeta a função endócrina (equilíbrio hormonal) em animais e humanos, e novamente as mães foram alertadas para evitar as mamadeiras que contenham esse produto químico e tomar outras medidas, como não ferver garrafas de policarbonato ou aquecê-las no microondas.

O BPA tem sido associado à infertilidade masculina e feminina, puberdade precoce, câncer de mama e próstata e distúrbios metabólicos como a síndrome dos ovários policísticos.

Agora, um novo estudo chocante descobriu que, quando o bebê nasce, pode ser tarde demais para começar a evitar ativamente o BPA. O site científico The Scientist informou recentemente que os resultados do estudo – conduzido por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Calgary – foram apresentados na reunião anual da Endocrine Society em Chicago, Illinois, em março.

Depois de determinar em 2015 que o BPA causa hiperatividade e altera o desenvolvimento do cérebro no peixe-zebra, a principal autora do estudo, Deborah Kurrasch e sua equipe decidiram investigar seus efeitos em mamíferos prenhes. Ratas foram alimentadas com diferentes dosagens de BPA durante um período de tempo, e os efeitos registrados.

O site The Cientist relatou as descobertas:

Os pesquisadores observaram que, mesmo quando os animais eram expostos a baixos níveis do produto químico – 10 ou 20 vezes abaixo da ingestão diária recomendada para humanos – seus descendentes apresentavam um desenvolvimento acelerado dos neurônios significativamente acelerado. A exposição ao BPA aumentou o número, o tamanho e a taxa de proliferação de neurônios nos cérebros dos filhotes, mas também reduziu a capacidade de autorrenovação das células, empurrando-as para um estado mais diferenciado.

Os filhotes de camundongos foram testados em vários testes comportamentais, incluindo o teste de campo aberto, o qual observa o movimento do animal entre o centro de uma câmara aberta e suas paredes, e o teste de três câmaras, que testa o desejo do animal em interagir com outro rato com o qual não esteja familiarizado. Os filhotes cujas mães foram expostas a doses altas ou baixas de BPA eram hiperativos e mais propensos a interagir com outros camundongos que os do grupo controle.

Dinu Nesan, um colega de pós-doutorado envolvido no estudo, admitiu que seriam necessárias mais evidências para convencer os órgãos reguladores a proibir ou regulamentar mais rigorosamente o BPA. No entanto, este não é o primeiro teste a fazer a conexão entre o BPA presente no útero e os problemas comportamentais.

Em 2011, a agência Reuters relatou um estudo conduzido por Joe Braun, da Harvard School of Public Health, que concluiu que as meninas expostas a níveis mais elevados de BPA, enquanto no útero, eram mais propensas a exibir comportamento ansioso e hiperativo aos 3 anos de idade.

Para medir os níveis de BPA, foram coletadas amostras de urina de 244 mulheres na área de Cincinnati duas vezes durante a gravidez e imediatamente após o parto, e das próprias crianças a cada ano até os três anos de idade. Nessa idade, as mães também completaram pesquisas em relação a quaisquer problemas comportamentais ou ansiedade, agressão, depressão ou hiperatividade exibidos por seus filhos.

A agência Reuters relatou:

Quase todas as mulheres tinham BPA presente na urina, com uma concentração média de dois microgramas por litro. Para cada aumento de 10 vezes nessa concentração durante a gravidez, as meninas – mas não os meninos – tiveram escores significativamente mais altos nos testes de ansiedade e depressão e tiveram pior controle comportamental e emocional.

Com o BPA absolutamente prolífico em nosso ambiente, não é de surpreender que os bebês estejam sendo expostos a quantidades enormes dessa substância química perigosa enquanto ainda estão no útero. E considerando a capacidade do BPA de perturbar o equilíbrio dos hormônios sexuais, não é surpresa que mais e mais crianças estejam confusas sobre seu gênero quando atingem a adolescência.

Sem dúvida, com o passar do tempo, mais estudos mostrarão conclusivamente a ligação entre a exposição ao BPA no útero e os distúrbios hormonais e problemas comportamentais. Entretanto, é imperativo que todas as mulheres grávidas evitem o BPA em todas as suas formas.

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Fontes:
– Natural News: BPA, found in plastic water bottles, linked to abnormal brain development in fetuses … Mothers BEWARE
– The Scientist: BPA Exposure Alters Behavior and Brain Development in Mice: Study
– Reuters: BPA tied to behavior problems in girls: study
– Healthy Children: Baby Bottles and Bisphenol A (BPA)
– NCBI: Health risk of exposure to Bisphenol A (BPA).

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