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Evidências para o Uso de Indigo Naturalis no Tratamento da Psoríase Tipo Placa  Uma Revisão Sistemá

O uso da fitoterapia na Medicina Tradicional Chinesa demonstra que as plantas medicinais são muito utilizadas como tratamento de diversas enfermidades, sendo que suas evidências terapêuticas são demonstradas através de diversas pesquisas experimentais. Os pesquisadores buscam nas plantas medicinais uma alternativa para a cura de doenças com menos reações adversas para uma melhor qualidade de vida. O Indigo naturalis ou Qing.

Dai tem sido pesquisado por suas propriedades anti-inflamatórias,  antioxidantes e antimitóticas.

O objetivo desta revisão literária sistemática é expor os resultados obtidos com o uso do Indigo  naturalis no tratamento da psoríase cutânea do tipo placa em pesquisas experimentais, criando assim um ambiente propício para  o estudo de plantas da flora brasileira. As referências utilizadas  demonstraram que o tratamento com a pomada Indigo naturalis não possui reações adversas e nem outros efeitos colaterais, como  aqueles apresentados em outros tratamentos alopáticos. Porém por  serem poucos os resultados encontrados é necessária a realização de  mais estudos clínicos que confirmem com mais exatidão a eficácia  do Indigo naturalis no tratamento da psoríase tipo placa.

Introdução

Desde a antiguidade produtos naturais são utilizados para curar  ou aliviar enfermidades. Sabe-se que muitas civilizações, dentre elas  a civilização chinesa, utilizaram plantas medicinais para controlar  pragas em geral (Barreiro et al. 2006).

A medicina tradicional chinesa possui uma longa história na  prática fitoterápica, onde sua eficácia é observada no tratamento
diário dos pacientes (Zhou et al. 2010).O tratamento chinês é  baseado no sinergismo, ou seja, na associação de várias plantas,
sendo que cada erva medicinal irá potencializar a outra, com isso,  serão administradas doses subterapêuticas havendo assim reduções  ou eliminações de possíveis reações tóxicas (Chen 2009).

A fitoterapia chinesa é coesa e bem difundida entre população e entre  médicos. A classe científica sempre está em busca de novos conhecimentos  sobre os efeitos benéficos das plantas medicinais (Sun et al. 2009).

No Brasil a medicina popular brasileira é bem estendida,  apesar de permanecer na “clandestinidade”, pois não é tão aplicada
na medicina tradicional. Este quadro pode ser revertido se o país  assumir uma posição em relação às plantas medicinais e aumentar  os recursos na área de pesquisa (Rezende e Cocco, 2002).

O presente estudo visa avaliar os efeitos benéficos da pomada à  base de Indigo naturalis no tratamento tópico da psoríase tipo placa.

Sendo que o intuito maior é fornecer uma opção de tratamento com  um mínimo de reações adversas, pois atualmente esta doença é  normalmente tratada com corticóides em cremes, pomadas, loções e aerossóis. Estes fármacos apresentam uma resposta imediata, porém há recorrência destas lesões em curto período além de apresentarem efeitos colaterais como miliária, piodermite e atrofia epidérmica que podem ser graves (Lin et al. 2009a).

Diante deste contexto, o estudo delimitou como objetivo geral de investigação, verificar se a utilização do uso de Indigo naturalis no tratamento da psoríase possibilita um melhor controle da doença ou se gera outras conseqüências prejudiciais à saúde.

Assim pretende-se reunir dados científicos sobre a ação e eficácia do Indigo naturalis no tratamento desta dermatose, através de revisão bibliográfica em diversas obras de estudo e literaturas existente utilizando formulações tópicas.

Psoríase cutânea humana

A psoríase é uma doença crônica inflamatória recorrente, que atinge principalmente a pele e as articulações, apresentando um
quadro de eritema, desidratação e descamações no estrato córneo (Arruda et al. 2004, Arnold Júnior et al. 1994). É uma doença comum que atinge cerca de 2-3% da população mundial (Tse et al. 2006).

Esta dermatose atinge de igual forma homens e mulheres sendo que o seu início é mais precoce no sexo feminino (Arruda et al. 2001), seu surgimento pode ocorrer em qualquer idade, mas o aumento de casos ocorre na segunda ou terceira década de vida (Gawkrodger, 2002). A patogenia desta doença ainda é desconhecida, porém há uma predisposição genética determinada para o seu desenvolvimento (Sampaio e Rivitti 2008).

A característica marcante da psoríase, responsável pelo seu aspecto clínico típico, é a hiperplasia da epiderme com intensa descamação. Na psoríase, a atividade mitótica dos queratinócitos da camada basal é 50 vezes maior que na pele normal, o que faz com que os queratinócitos levem apenas três a cinco dias para atingir a camada córnea, enquanto que na epiderme normal este processo ocorre entre 28 a 30 dias (Werner, 2006).

Esta enfermidade apresenta inúmeras formas de manifestações clínicas, porém as suas formas mais comuns e importantes são a
psoríase guttata, eritrodémica, pustulosa e a vulgar, sendo esta última forma mais vista. A psoríase guttata surge de maneira abrupta com inúmeras pápulas e placas pequenas e disseminadas, que geralmente aparecem após um episódio de infecção das vias aéreas superiores de causa estreptocócica; este tipo é mais comum em crianças. Aforma eritrodérmica é grave e se caracteriza por eritema e descamação generalizados, envolvendo pelo menos 90% da superfície corpórea.

A pustulosa é caracterizada pela presença de pústulas subcórneas e pode ser generalizada, localizada, ou acometer as palmas das mãos e plantas dos pés (Cucé e Festa Neto 2001, Fitzpatrick et al. 2005).

A psoríase do tipo placa se manifesta em 90% dos casos, é caracterizada pelo aparecimento de feridas na pele de cor avermelhada
e descamativas bem demarcadas (Lopes et al. 2007). As escamas geralmente têm cor “prateada” e, quando retiradas por curetagem, apresentam aspecto e consistência semelhante a raspas de parafina “sinal da vela” e em seguida se observa o sinal de Auspitz “orvalho sangrante” aonde são observados pequenos pontos hemorrágicos.

O acometimento das articulações em particular joelhos e cotovelos é muito característico neste tipo de psoríase, bem como os fenômenos isomórficos de Koebner, que é o aparecimento de placas de psoríase em locais de trauma físico (Bechelli e Curban 1978).

Um conjunto de fatores genéticos, imunológicos e ambientais é necessário para o desenvolvimento da doença. A hereditariedade
desempenha importante papel na psoríase, os pais transmitem a seus filhos a susceptibilidade para desenvolver a doença.

Entretanto, a psoríase só se expressa clinicamente se uma reação imunológica induzida por linfócitos T
se desenvolver na pele dos pacientes; este processo inflamatório terá como conseqüência a hiperproliferação celular. O estresse em sentido amplo (psicológico, físico, cirúrgico) é um fator agravante ou desencadeante bem conhecido (Rodrigues e Teixeira 2009).

Por se tratar de uma dermatose crônica, com características inflamatórias demanda uso prolongado de medicamentos, o que faz
com a pele desenvolva um mecanismo chamado taquifilaxia, ou seja, a pele se acostuma com o tratamento e passa a não responder mais à medicação. No entanto o resultado do tratamento da psoríase realizado em um dos estudos clínicos com uso do Indigo naturalis mostrou-se capaz de controlar e reduzir o número de lesões psoriásicas de forma eficaz e segura (Bechelli e Curban 1978, Lin et al. 2009a).

Indigo naturalis e seu perfil fitoquímico

Indigo naturalis ou Qing dai é um pó azul escuro amplamente utilizado na medicina oriental Chinesa em várias enfermidades,
dentre elas a psoríase tipo placa. Este pó é obtido a partir das folhas da Baphicacanthus cusia, Polygonum tinctorium, Isatis indigotica, Indigofera tinctoria e Strobilanthes formosanus Moore (Lin et al.2009b), que constam na Tabela I com suas respectivas sinonímias.

Estas espécies possuem alcaloides bis-indólicos (indigóides), sendo que os principais são a Indigotina e a Indirubina. As folhas e caules destas plantas são ricos em indicana (indoxil-5-D-glucosídeo) e ou isatana B (indoxil-5-ceto-gluconato) que ao decompor-se por hidrólise enzimática através de fermentação produzem o indoxil.

Estas moléculas de indoxil por sua vez são agrupadas duas a duas e oxidadas espontaneamente formando o Indigo (indigotina), corante azul. O indoxil por oxidação pode também formar a indirubina (isoindigotina, o Indigo carmin) um isômero do indigo cuja coloração é violácea (Cabral, 2007; Calvo, 2007; Qian et al. 2005).

A coloração azul do Indigo naturalis é devido ao alto nível de indigotina, cerca de 2,65% p/p do pó Indigo natural. Apesar de estar em menor quantidade (0,15% p/p), a indirubina componente secundário do Indigo tem os efeitos anti-inflamatórios atribuídos a si (Qian et al. 2005).

Os indigoides são produtos naturais que têm uma longa história em razão do uso como tinturas. O Índigo foi sintetizado em 1878 e o primeiro processo industrial foi desenvolvido em 1890.

A literatura relata inúmeros estudos farmacológicos envolvendo alcaloides bis-indólicos, principalmente indirubina e seus derivados, tendo sido detectadas atividades antioxidantes, anti-inflamatórias e
antimitóticas (Calvo 2007).

Evidências sobre a eficácia do Índigo naturalis no tratamento da Psoríase Vulgar (tipo placa) e sua atuação na proliferação celular

Os estudos se basearam na formulação de uma terapia alternativa ou complementar para o tratamento da psoríase
tipo placa. De acordo com Lin e seus colaboradores, o tratamento foi fornecido a 42 pacientes com psoríase
bilateral, isto é, lesões iguais em ambos os lados de seu corpo, em um ensaio duplo cego, onde era espalhada a pomada de Indigo nas placas psoriáticas em um dos lados e apenas a base da pomada nas placas no outro lado do corpo.

O tratamento com Indigo manchava a pele dos participantes, mas saía com lavagem. Antes das consultas médicas regulares, toda a área com as lesões eram lavadas para que não houvesse identificação pelos médicos do local onde fora administrado à pomada em questão e sua base.

A pesquisa durou 12 semanas, foi observada a melhora da psoríase em 31 pacientes dos 42 que foram avaliados e tratados com o
Indigo naturalis. Nenhum efeito prejudicial foi notado, apesar de existirem pacientes que não estavam satisfeitos com o fato da pomada manchar a pele e suas roupas, mesmo que saísse após lavagem e não deixando nenhuma mudança permanente na cor da pele (Lin et al. 2009a; Lin et al. 2007a).

O tratamento com a pomada de Indigo naturalis não possui reações adversas, como aquelas apresentadas em
tratamentos com corticosteróide, nem outros efeitos colaterais – isto baseado em observações clínicas durante cinco anos.

Além do mais, o tratamento com a pomada de Índigo custa muito menos (Lin et al. 2009a).

Na epiderme normal o ciclo celular de renovação até a descamação epitelial é de 28 a 30 dias (Werner, 2006). O processo de maturação, ou seja, a queratinização inicia-se na camada basal onde ocorre meiose das células -mães e mitoses dos queratinócitos, que migram para a camada espinhosa iniciando a síntese de queratina,
há outra migração para a camada granulosa onde a célula irá perder o seu núcleo e suas organelas citoplasmáticas; a partir daí, as células serão transformadas em células escamosas queratinizadas no estrato córneo, onde serão eliminadas (Alberts et al. 2010).

Sampaio e Rivitti (2008) descrevem a ocorrência de uma aceleração do ciclo germinativo epidérmico, na camada basal,
aumento das células em proliferação, com marcado encurtamento do tempo da renovação celular na epiderme das lesões.

O processo de diferenciação e proliferação celular na psoríase é complexo, pois não se sabe realmente qual o ponto de partida de
sua origem. Alguns estudiosos acreditam que a melhor forma de se explicar a cascata que envolve a formação das lesões seria o modelo da rede de citocinas, sendo que eventos externos com prejuízos físicos, eventos internos, como bactérias, drogas, por exemplo, favoreceriam uma cascata de reações de citocinas, que conseqüentemente ativaria diversas células inflamatórias (Mukai 2008).

Dados sugerem que a terapia tópica com Indigo naturalisé eficaz, pois a sua ação se dá na modulação da proliferação e diferenciação dos queratinócitos, havendo uma redução da espessura epidérmica, descamação, eritema e enrijecimento,
além de aumentar e normalizar os níveis de filagrina no estrato córneo e na camada granulosa e inibir a sinalização da proteína
de superfície celular CD3 (com isso não haverá ativação das células T). Estudos realizados pelo mesmo autor sugerem a
possibilidade de haver uma redução da angiogênese (Lin et al. 2007b, Fitzpatrick et al. 2005), processo pelo qual ocorre
dilatação e aumento dos vasos sanguíneos (Mukai 2008).

As pesquisas realizadas por Lin et al. (2009a) demonstraram também que o princípio ativo indigotina (Índigo) e indirubina podem
causar a parada do ciclo celular, porém a indirubina apresenta uma ação maior na inibição da proliferação celular dos queratinócitos.

Considerações finais

A literatura consultada na realização desta revisão indica que o Indigo naturalis, fitoterápico amplamente empregado na medicina popular chinesa, apresenta uma ação anti-inflamatória, antioxidante e antimicótica. Tais constatações sugerem que o mesmo pode proporcionar grande beneficio no tratamento da psoríase.

Contudo, por serem poucos os estudos científicos realizados com o Indigo naturalis para esta finalidade torna-se necessária a realização de mais estudos clínicos que confirmem com mais exatidão a eficácia deste fitoterápico no tratamento da psoríase tipo placa, assim como também se vê a necessidade de um estudo duplo-cego randomizado comparando a pomada de Indigo naturalis
com uma pomada contendo corticoide, visando comparar os efeitos positivos e negativos de ambos, já que o corticoide
ainda é o tratamento mais utilizado.

Ficou também evidenciado que pesquisas envolvendo plantas medicinais e compostos naturais ativos são muito importantes para a síntese de substâncias análogas mais seletivas e potentes, que podem ser obtidas porventura mais facilmente e a custos menores.

É importante lembrar também que muitos fármacos disponíveis atualmente no mercado farmacêutico foram obtidos sinteticamente baseados em estruturas naturais ativas.

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Fontes:
Natureza Online: Evidências para o uso de Indigo naturalis no tratamento da psoríase tipo placa: uma revisão sistemática (PDF)

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