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Brasil Pode ser o Primeiro a Aprovar Eucalipto TransgênicoBrasil avalia liberar eucalipto transgênico.

Variedade desenvolvida pela FuturaGene/Suzano pode ser a primeira árvore transgênica plantada em todo mundo; estudos apresentados são insuficientes para garantir a segurança. Maior produtor mundial de celulose, o Brasil está perto de despontar como o primeiro país a liberar comercialmente o plantio de eucalipto geneticamente modificado. Experimentos de empresas florestais estão em campo há quase uma década e uma variedade transgênica que promete produtividade 20% maior — em tempo de crescimento — poderá ser aprovada ainda neste ano pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A introdução de um novo gene na planta reduziu de sete para cinco anos e meio o período entre plantio e colheita e aumentou o diâmetro do tronco. Lembrem-se que a “CTNBio Muda Estatutos para Apressar a Liberação do Feijão Transgênico“.

O Greenpeace participou da audiência pública sobre o eucalipto transgênico, realizada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). O encontro é parte do processo de liberação comercial da variedade de eucalipto geneticamente modificada da FuturaGene / Suzano Papel e Celulose, desenvolvida com o objetivo de produzir mais celulose em menos tempo.

A audiência contou com a participação de representantes das empresas envolvidas, membros da CTNBio, cientistas autônomos, representantes de Ministérios, apicultores e representantes de ONGs e movimentos sociais. Caso o pedido seja aprovado pela CTNBio, o Brasil será o primeiro país do mundo a plantar árvores transgênicas em escala comercial.

Se o uso indiscriminado de soja, milho e algodão transgênicos já é preocupante, o pedido de liberação comercial feito pela FuturaGene / Suzano polemiza a questão ainda mais. Árvores vivem por muito mais tempo e fazem parte de cadeias alimentares naturais e de ecossistemas complexos, e portanto representam ameaças ambientais de longo prazo para ecossistemas ricos em biodiversidade – ameaças que podem ser difíceis (se não impossíveis) de prever e avaliar. O escape de pólen ou semente de árvores de eucalipto geneticamente modificadas pode colocar em risco a vida natural.

Variedade produzida em laboratório em São Paulo, na Bahia e no Piauí , Foto: Divulgação / Futuragene

Não é à toa que nenhum país do mundo tenha autorizado o plantio comercial de árvores transgênicas até hoje”, lembra Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de agricultura e alimentação do Greenpeace Brasil. “É importante que a CTNBio tenha realizado esta audiência pública, porque ficou ainda mais claro que a liberação desta variedade transgênica de eucalipto poderá trazer danos seríssimos para o meio ambiente, para a população e para a economia”, acrescenta ela.

Durante a audiência, diversas intervenções pontuaram a insuficiência ou inadequação dos estudos apresentados pela FuturaGene / Suzano. Perguntada, a empresa declarou que não realizou, por exemplo, estudos específicos para comparar o consumo de água da variedade transgênica com a variedade convencional. Representante do Ministério do Meio Ambiente afirmou que não foram apresentados estudos de longa duração, e lembrou que os efeitos da soja e do milho transgênicos no médio e longo prazo não foram positivos. Destacou-se também que a Convenção de Biodiversidade, da qual o Brasil é signatário, recomenda cautela com relação a árvores geneticamente modificadas.

O representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário alertou que os estudos realizados para avaliar os efeitos do eucalipto nas abelhas e na produção de mel são insatisfatórios, pois levaram em conta apenas cinco colmeias de uma única localidade. Cerca de 25% do mel produzido no Brasil vem do eucalipto, e a pesquisa apresentada pela FuturaGene / Suzano não avalia os aspectos nutricionais do mel produzido a partir de pólen trangênico, tampouco sua toxicidade ou alergenicidade.

A Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (ABEMEL) se mostrou preocupada com a possível liberação: como não há aprovação desta variedade em nenhum outro lugar do mundo, as exportações brasileiras de mel e própolis poderão ser afetadas, numa situação semelhante à ocorrida no México em 2011.

Com base nos estudos apresentados, não dá pra dizer que o mel produzido a partir destes eucaliptos é seguro para consumo”, alerta Gabriela. E questiona: “O que vai acontecer com os 350 mil apicultores brasileiros que dependem da produção de mel para sobreviver? E a produção orgânica de mel, própolis, pólen e geleia real? Liberar o eucalipto transgênico sem estas respostas é uma temeridade, uma irresponsabilidade”.

Selo FSC

Outra preocupação levantada foi a de que os critérios do FSC (Forest Stewardship Council) não aceitam variedades transgênicas para certificação florestal. A Assembleia Geral do FSC se reúne na Espanha, na próxima semana, e a Campanha Internacional para Parar Árvores Geneticamente Modificadas (CSGET, na sigla em inglês) irá apresentar uma carta, pedindo que o FSC se desvincule da Suzano caso a liberação do eucalipto transgênico seja aprovada no Brasil.

Região de plantio

O eucalipto cuja aprovação comercial foi submetida à CTNBio é mais indicado para o Estado de São Paulo, segundo a FuturaGene. A planta geneticamente modificada tem área limitada de adoção, uma vez que cada região possui diferentes características que podem fazer a produtividade variar. “Mas temos pesquisas para ampliar a adoção desse produto”, afirmou Ulian.

A Suzano mantém 819 mil hectares de florestas nos Estados de São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Tocantins, Piauí e Maranhão, dos quais 354 mil ocupados por eucalipto. “O plantio será feito de forma gradual, de acordo com as práticas de manejo florestal adotadas pela empresa na implantação de qualquer novo clone. Caso aprovados, os plantios iniciais serão feitos no Estado de São Paulo e, posteriormente, estendidos para as demais localidades“, afirmou a Suzano.

Depois da audiência pública na quinta-feira, ocorrerão discussões e possível votação do pedido de liberação comercial na CTNBio, que não tem uma previsão sobre quanto tempo o processo pode durar.

Após a audiência, os relatores devem entregar os relatórios para votação no plenário da CTNBio. Gostaríamos que isso acontecesse até o fim do ano, talvez na primeira reunião do início do ano que vem“, disse o presidente da Suzano, Walter Schalka, em teleconferência com analistas em meados de agosto.

VEJAM ESTES VIDEOS DA AUDIÊNCIA PÚBLICA :

Denúncias:

Um conjunto de organizações lideradas pelo Movimiento Mundial pelos Bosques (http://www.wrm.org.uy) e pelo Global Justice Ecology Project (http://www.globaljusticeecology.org) lançou no ano de 2008 uma campanha internacional contra a liberação de árvores transgênicas.

 

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Fontes:
– Fórum Notícias Naturais: Brasil pode ser o primeiro a aprovar eucalipto transgênico
– Greenpeace: Brasil avalia liberar eucalipto transgênico
– Revista Globo Rural: Eucalipto transgênico
– Em Pratos Limpos: Eucalipto transgênico O que você precisa saber
– Exame: Eucalipto transgênico pode aumentar produtividade
– Gondola Segura: CTNBIO convoca Adiência Pública sobre Eucalipto transgênico em Brasília
– FuturaGene: Promovendo um caminho sustentável para um futuro melhor

 

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