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Gerente-Geral de Toxicologia da ANVISA é ExoneradoQuem acompanha este blog a mais tempo vai lembrar que em duas ocasiões pude sentir pessoalmente o descaso com a ANVISA e o Ministério da Saúde. A primeira foi quando fiz uma solicitação dos dados relativos aos efeitos adversos da vacina da gripe aplicada no ano seguinte a falsa pandemia de 2009. Fui enrolado por meses, sempre com respostas evasivas e genéricas. Meu último pedido foi através de meu advogado, que teve uma resposta um pouco mais séria pelo MS, mais ainda colocando empecilhos para entregar os dados (ainda não desisti…). A segunda ocasião foi ao solicitar a posição da Anvisa sobre o BPA perante às múltiplas suspeitas dos efeitos maléficos deste na saúde humana, responderam da mesma forma. Ainda sobre o BPA, quando um juiz federal iria julgar uma lei que iria obrigar a rotulagem dos produtos que contivessem BPA, tenho informações de que a Anvisa levou um técnico até este juiz, para tentar convencê-lo de que o BPA era inócuo e não apresentava nenhum risco. Contraditoriamente meses mais tarde proibiram o BPA em mamadeiras, talvez uma forma de contenção de danos.

Agora me parece claro diante desta denúncia do próprio Gerente-Geral de Toxicologia da ANVISA, é demitido sumariamente após denunciar falcatruas dentro da ANVISA. Este sim realmente é um herói, se não fosse por pessoas assim honestas, nunca teríamos acesso a estas informações. Veja abaixo o comentário do blog Nos dias de Noé e a seguir a matéria que saiu no Correio do Brasil.

Bem previsível… Quem acompanhou o documentário “O Mundo Segundo a Monsanto pôde ver a fragilidade ética nos órgãos de saúde pública do governo norte-americano. A entrada da EPA, como diziam, era uma porta giratória: um entra e sai de funcionários e diretores submetidos ao controle das corporações agroindustriais e biotecnológicas.

Como era de se esperar, no Brasil não poderia ser diferente. Logo abaixo está um mero repeteco do documentário da Marrie Monique. Porém existe um agravante: a atual influencia da bancada ruralista no Congresso Nacional, que atualmente transformou o Código Florestal (e futuramente as florestas) em um queijo suíço, pretendem alterar as legislações para abrir mais espaço aos agrotóxicos. Não é difícil traçar um prognóstico deste atual cenário. A coisa ficará feia…

GERENTE-GERAL DE TOXICOLOGIA DA ANVISA É EXONERADO POR DENUNCIAR CORRUPÇÃO

O gerente-geral de toxicologia da ANVISA, Luís Cláudio Meirelles, foi exonerado do cargo nesta quarta-feira (14). Segundo carta divulgada hoje, o pesquisador que trabalhava há 12 anos na ANVISA, denunciou irregularidades graves na liberação de agrotóxicos. “As graves irregularidades envolveram o deferimento de produtos sem a necessária avaliação toxicológica, falsificação de minha assinatura e desaparecimento de processos em situação irregular.”

Ao constatar as irregularidades, Meirelles tomou as atitudes esperados de um funcionário público: “Em seguida, solicitei ao Diretor-presidente o afastamento do Gerente da GAVRI, pois os problemas estavam relacionados às atividades de sua Gerência, assinalando que houve rompimento da relação de confiança exigida para o cargo.”. Entretanto, a medida contrariou interesses maiores dentro da instituição, e na relação com o Ibama e MAPA.

“As razões para a exoneração me foram transmitidas pelo Diretor-Presidente da ANVISA. Após elogiar o trabalho, a lisura e o reconhecimento externo que conferi à GGTOX, ele me informou que, na sua visão, o encaminhamento das irregularidades foi confuso e inadequado, e que faltou diálogo prévio (..). Afirmou, ainda, que o processo de afastamento do gerente da GAVRI não fora apropriado, e que a indagação do Ministério Público sobre esse fato, que antecedeu às investigações internas, não deveria ter ocorrido.”

Segundo informações, os agrotóxicos liberados com assinatura falsa de Meirelles seriam utilizados para ferrugem da soja, ou seja, estão ligados aos grandes interesses do agronegócio brasileiro. Ele ainda detalha na carta as pressões que a ANVISA tem sofrido para liberar cada vez mais agrotóxicos, sem a devida preocupação com a saúde da população. Confira a integra da carta de Luís Cláudio:

Comunico que, no dia 14 de novembro de 2012, deixei o cargo de Gerente Geral de Toxicologia da ANVISA, após ter trabalhado por 12 anos e 9 meses na agência, cedido pela Fundação Oswaldo Cruz-FIOCRUZ, para onde retorno.

Durante estes anos, tive a oportunidade de interagir com muitos colegas e amigos, que muito me ensinaram. Levo da ANVISA riquíssima bagagem sobre a importância da prevenção e controle que a Vigilância Sanitária desenvolve para produzir saúde e bem-estar para a população.

Agradeço sinceramente a todos que colaboraram com a minha gestão e, ao final deste texto, segue meu novo endereço profissional na FIOCRUZ, Rio de Janeiro, onde estarei à disposição para o desenvolvimento de trabalhos de interesse público na área da saúde.

Em seguida apresento informações sobre a minha saída da ANVISA e destaco algumas questões preocupantes sobre o contexto atual, que poderão afetar a atuação do setor Saúde no controle de agrotóxicos do Brasil.”

Sobre os fatos

No início do mês de agosto, identificamos irregularidades na concessão dos Informes de Avaliação Toxicológica de produtos formulados, que autorizam o Ministério da Agricultura a registrar os agrotóxicos no país. Frente aos primeiros fatos, solicitei aos gerentes que levantassem as informações para a imediata adoção de providências. Os levantamentos foram realizados e contaram com a colaboração dos responsáveis pela Gerência de Análise Toxicológica – GEATO e da Gerência de Normatização e Avaliação – GENAV. A Gerência de Avaliação do Risco – GAVRI não colaborou com qualquer informação.

As graves irregularidades envolveram o deferimento de produtos sem a necessária avaliação toxicológica, falsificação de minha assinatura e desaparecimento de processos em situação irregular.

Primeiramente identificamos irregularidade em um produto, posteriormente em mais cinco, e recentemente em mais um, com problemas de mesma natureza. Para cada um deles foi instruído um dossiê com a identificação da irregularidade e a anexação de todas as provas que mostram que o Informe de Avaliação Toxicológica foi submetido para liberação sem a devida análise toxicológica.

Por ocasião da primeira irregularidade observada, comuniquei de imediato os fatos ao Chefe da Coordenação de Segurança Institucional – CSEGI, que também é Diretor-adjunto do Diretor-Presidente, e ao Diretor da Diretoria de Monitoramento – DIMON. Informei a ambos que estava enviando os processos à CSEGI para adoção de providências e cancelando os documentos de deferimento. Não recebi qualquer orientação adicional ao que propus.

Em seguida, solicitei ao Diretor-presidente o afastamento do Gerente da GAVRI, pois os problemas estavam relacionados às atividades de sua Gerência, assinalando que houve rompimento da relação de confiança exigida para o cargo.

Todos os procedimentos e medidas foram previamente apresentados às instâncias superiores da ANVISA, na busca de auxílio e orientação. As medidas que me cabiam, enquanto gestor da área, foram adotadas para garantir a segurança dos servidores, dos documentos e dos sistemas acessados pelos técnicos da GGTOX, bem como a imprescindível visibilidade institucional.

Sobre as medidas adotadas

Para todos os produtos que apresentaram suspeita de irregularidade na avaliação toxicológica, emiti ofícios às empresas, suspendendo o Informe de Avaliação Toxicológica concedido pela GGTOX/ANVISA, bem como determinando, em alguns casos, que se abstivessem de comercializar o produto até que as irregularidades fossem apuradas e sanadas. Também encaminhei os ofícios ao Ministério da Agricultura, com cópia para o IBAMA, notificando as decisões e solicitando as medidas adequadas.

Solicitei à Gerência Geral de Tecnologia da Informação-GGTIN, cópia do backup de todos os documentos da pasta da GGTOX que ficam no servidor da ANVISA. A cópia está disponível na GGTIN e para o Gerente Geral de Toxicologia, no modo leitura.

Encaminhei à CSEGI o relato de todas as medidas adotadas, a descrição detalhada dos fatos e os documentos juntados, para a adoção das providências cabíveis. Informei ainda, em todos os memorandos, que seguíamos na busca de outras possíveis irregularidades, o que poderia resultar no envio de novos processos àquela Coordenação.

Por último, comuniquei os fatos e providências ao conjunto dos servidores, e discutimos a natureza grave do problema. Enfatizei, ainda, a importância de garantir o prestígio da GGTOX-ANVISA e de quem nela trabalha, afastando as estratégias destrutivas que buscam desqualificar a ação reguladora das instituições públicas em episódios com este.

Sobre a exoneração

As razões para a exoneração me foram transmitidas pelo Diretor-Presidente da ANVISA. Após elogiar o trabalho, a lisura e o reconhecimento externo que conferi à GGTOX, ele me informou que, na sua visão, o encaminhamento das irregularidades foi confuso e inadequado, e que faltou diálogo prévio, o que gerou dificuldades na relação de confiança entre minha pessoa e a Diretoria. Afirmou, ainda, que o processo de afastamento do gerente da GAVRI não fora apropriado, e que a indagação do Ministério Público sobre esse fato, que antecedeu às investigações internas, não deveria ter ocorrido.

Em resposta, discordei dos argumentos apresentados, pois, como dito por ele, não havia críticas à minha gestão, e a solicitação de investigação das irregularidades era de minha obrigação enquanto gestor e servidor público. Também destaquei que respeitei a hierarquia e os encaminhamentos formais.

Disse ainda que sempre estive à disposição da Diretoria para informá-la dos fatos, e busquei diálogo e orientação junto à CSEGI e à DIMON. Lembrei que, durante o episódio, as gerentes da GEATO e da GENAV não foram chamadas sequer uma vez para informar ou confrontar alguma afirmação que por ventura não tivesse sido clara o suficiente para suscitar uma rápida tomada de providências.

Também esclareci ao Diretor-Presidente que as manifestações externas sobre a minha exoneração não deveriam ser interpretadas como pressão para me manter nesse cargo, pois eu tampouco desejava continuar a trabalhar sob sua direção. No entanto, zelaria para que a apuração das irregularidades fosse levada até a última instância.

Sobre o futuro

Frente ao exposto, considero importante compreender que o episódio das irregularidades deve ser tratado com a firmeza necessária, sem que isto venha denegrir a qualidade do trabalho realizado pela Gerência de Toxicologia ou ocultar a tentativa de desregulamentação do controle dos agrotóxicos no Brasil.

Nesse contexto, destaco alguns fatos que vêm ocorrendo e cujo objetivo é o de retirar competências da Saúde ou “flexibilizar” sua atuação. Eles têm sido debatidos e repudiados pela Gerência, pelo retrocesso que representam para a sociedade:

– O Projeto de Lei – PL n° 6299/2002, ao qual foram apensados outros PLs (PL 3125/2000, PL 5852/2001, PL 5884/2005, PL 6189/2005, PL 2495/2000, PL 1567/2011; PL 4166/2012; PL 1779/2011, PL 3063/2011 e PL 1567/2011), que estão tramitando na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, e que retiram competências da ANVISA e do IBAMA nas avaliações de agrotóxicos.

– A criação de uma “Agência nacional de Agroquímicos”, veiculada pela mídia, e cujo conteúdo informa que um dos fatores impeditivos da implementação da nova Agência seria a “resistência dos técnicos da ANVISA”(sic).

– As tentativas de desqualificação da Consulta Pública 02, de 2011, oriunda da revisão da Portaria 03, de 1992, e que estabelece critérios cientificamente atualizados para a avaliação e classificação toxicológica de agrotóxicos. Durante o período da consulta pública, o setor regulado chegou a propor que esta revisão fosse suspensa.

– As tentativas permanentes de impedimento da reavaliação de agrotóxicos ou de reversão das decisões já adotadas, através das constantes pressões políticas e demandas judiciais. Tais procedimentos tem sufocado o trabalho da Gerência. Oito produtos ainda estão pendentes de conclusão; a proibição do metamidofós foi emblemática, pelo tanto que onerou as atividades da equipe.

– As tentativas de flexibilização da legislação, com o intuito de permitir a criação de normas que autorizem as alterações de composição e o reprocessamento de produtos, sem critérios técnicos fundamentados.

Abraços.

Luiz Cláudio Meirelles
Pesquisador em Saúde Pública

Fontes:

– Blog A Nova Ordem Mundial
– Correio do Brasil: Gerente-Geral de Toxicologia da ANVISA é exonerado por denunciar irregularidades
– Gerente-Geral de Toxicologia da ANVISA é exonerado por denunciar corrupção
Comentário: Nos dias de noe

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8 Comments

  • luiz Osanai disse:

    Caro Dr. Luiz Meirelles,

    diante desses fatos, não haverá nada a fazer para reverter esses descalabros? As grandes corporações que fabricam os defensivos agrícolas continuarão a ditar as regras?

    L.Osanai

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  • Paulo Tarso da Costa disse:

    Quem não entra para a quadrilha dança…

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  • Paulo Tarso da Costa disse:

    Luiz Cláudio Meirelles,foi demitido por Dirceu Brás Aparecido Barbano – atual Diretor-Presidente da ANVISA, cargo com pesado histórico de corrupção e assédio constante das bilionárias e inescrupulosas industrias farmacêuticas e de agrotóxicos …

    …” MPF investiga Agnelo Queiroz – OPERAÇÃO PANACEIA – Março de 2012″

    …”A decisão foi motivada por reportagem publicada ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo, com detalhes da Operação Panaceia, que investiga a prática de crimes por administradores do laboratório Hipolabor, de Minas. Uma agenda com registros contábeis da diretoria da empresa, apreendida em buscas autorizadas pela Justiça, aponta supostos repasses a Agnelo em 2010, ano em que deixou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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  • Luiz Antônio dos Santos disse:

    Há muitos casos pelo Brasil de represálias a quem mantem-se incólume em seus princípios morais. Não há preço a ser pago a quem não compactua com irregularidades pois seria inútil uma vez que princípos morais são inegociáveis. Eu, a exemplo deste servidor e tb da Venina (Petrobrás) Também sou vítima do jeito PT de governar. De qq forma, parabéns Dr. eles tem inveja do senhor, são pessoas tristes, sem princípios suas famílias são destroçadas.

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  • Luiz Antônio dos Santos disse:

    Esse é o jeito PT de governar, muitos servidores Brasil a fora passam pelo mesmo processo da Venina e do senhor. Eu sou tb um exemplo, nosso consolo é que eles são infelizes e suas famílias são destroçadas pq trata-se de pessoas vis, sem excrúpulos entregues a espíritos que não os dá sossego. Parabéns Dr. pela sua atitude.

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  • Tânia Maria Lopes disse:

    MAS, ISSO TEM QUE ACABAR!
    O POVO VAI APROVEITAR O MOMENTO, E VAMOS CAIR EM CIMA DA ANVISA! SEM TRÉGUAS!
    ESSES CORRUPTOS TEM QUE PAGAR! NÃO VAMOS DESCANSAR! NESSE MOMENTO JÁ HÁ 98 MOVIMENTOS POPULARES ARQUITETANDO PROVIDÊNCIAS CONTRA A ANVISA, EM MANIFESTAÇÕES, E EM CONSULTA COM ADVOGADOS, VAMOS QUEBRAR ESSE ÓRGÃO CORRUTO, E COVARDE! AGORA É HORA DA VINGANÇA PELOS ASSASSINATOS DE PESQUISADORES, MÉDICOS E CIENTISTAS!

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  • Luis A. M. disse:

    Também denunciei os perigos das vacinas de gripe e conservantes em geral ao MS, e as respostas recebidas eram as rotineiras. baseadas nas respostas em inglês dos sites citados, rebati a todas, e encerraram. daí parti o MP e contestei as respostas. No que deu, não sei. Posteriormente contestei as manobras e malfeitos dentro do MAPA para aprovação de produtos nacionais que atrapalham as multi. produtos que pagam altas taxas para testes milionários e que ficavam indo e vindo na fila de aprovação, por até 8 anos, impedindo o progresso com exames parciais que exauriam os prazos dos testes. Pessoa de Laboratório nacional humano relata as dificuldades atuais que seu avô não enfrentou a frente de produtos novos. assim, penso que pressionado o MAPA adotou uma política de similaridade de testes, e não sei se a fila foi modificada com exames totais. Soube que quem chegava novo no afã de agilizar recebia um “aqui não é assim, não”. então existem coisas ruins dentro desses órgãos, como em todos os outros. Olho aberto é pouco.

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