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Agrotóxicos no seu estômago

5 de outubro de 2009
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Agrotóxicos no seu estômagoNa safra passada, as empresas multi-nacionais, que são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química…), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos“, escreve João Pedro Stédile, economista e integrante da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), em artigo publicado no jornal O Globo, 24-09-2009.

Eis o artigo:


Os porta-vozes da grande propriedade e das empresas transnacionais são muito bem pagos para todos os dias defender, falar e escrever de que no Brasil não há mais problema agrário. Afinal, a grande propriedade está produzindo muito mais e tendo muito lucro. Portanto, o latifúndio não é mais problema para a sociedade brasileira. Será? Nem vou abordar a injustiça social da concentração da propriedade da terra, que faz com que apenas 2%, ou seja, 50 mil fazendeiros, sejam donos de metade de toda nossa natureza, enquanto temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.

Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção do modelo agrícola do agronegócio.

O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muito agrotóxicos e máquinas.

Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores do interior.

Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química…), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos.

As lavouras que mais usam venenos são: cana, soja, arroz, milho, fumo, tomate, batata, uva, moranguinho e hortaliças. Tudo isso deixará resíduos para seu estômago.

E no seu organismo afetam as células e algum dia podem se transformar em câncer.

Perguntem aos cientistas aí do Instituto Nacional do Câncer, referência de pesquisa nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco? A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Mas ninguém avisa no rótulo, nem retira da prateleira. Antigamente, era permitido ter na soja e no óleo de soja apenas 0,2 mg/kg de resíduo do veneno glifosato, para não afetar a saúde. De repente, a Anvisa autorizou os produtos derivados de soja terem até 10,0 mg/kg de glifosato, 50 vezes mais. Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo de glifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.

Esse mesmo movimento estão fazendo agora com os derivados do milho.

Depois que foi aprovado o milho transgênico, que aumenta o uso de veneno, querem aumentar a possibilidade de resíduos de 0,1 mg/kg permitido para 1,0 mg/kg.

Há muitos outros exemplos de suas consequências. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT, revelou em suas pesquisas que nos municípios que têm grande produção de soja e uso intensivo de venenos os índices de abortos e má formação de fetos são quatro vezes maiores do que a média do estado.

Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar, camponesa, que é a única que pode produzir sem venenos e de maneira diversificada. O agronegócio, para ter escala e grandes lucros, só consegue produzir com venenos e expulsando os trabalhadores para a cidade.

E você paga a conta, com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o aumento da incidência de venenos em seu alimento.

Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma forma de produzir alimentos sadios, é uma questão nacional, de toda sociedade.

Não é mais um problema apenas dos sem-terra. E é por isso que cada vez que o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio, as empresas transnacionais, seus veículos de comunicação e seus parlamentares, nos atacam tanto.

Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que interesses deve atender a produção agrícola: apenas o lucro ou a saúde e o bem-estar da população? Os ricos sabem disso e tratam de consumir apenas produtos orgânicos.

E você precisa se decidir. De que lado você está?

Fontes:
– www.e-campo.com.br
O Globo: Agrotóxicos no seu estômago
alimentação viva

(1249)

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6 Comments

  • Anonymous disse:

    Gostaria de saber qual o embasamento da afirmação de que a utilização de Milho transgênico aumenta a utilização de AGROQUÍMICOS.

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  • Anonymous disse:

    Ou seja, as empresas ganham 2 vezes. No veneno e nas sementes. Falta agora elas entrarem no mercado de saúde, ai sim, a cadeia está completa. Bom cancer pra todos

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  • Anonymous disse:

    Apoiar o MST?, a via campesina? Se os nossos politicos não tivessem o rabo preso com empresas como a monsanto, bunge, etc, esse problema seria muito menor. Mas como o Brasil "socialista" procura diminuir as diferenças sociais maximizando o lucro dos banqueiros e entregando o pais pras elites mundias, toda essa situação tende só a piorar. Agora vem esse Stedile pedindo pra apoiar o MST, e alimentar a revolução vermelha no nosso pais, como se a luta de classes resolvesse algum problema nesse pais ou no mundo.
    Isaac Trindade

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  • Adriano Crivelli disse:

    A tempos o Brasil virou um ótimo negócio para a Nova Ordem Mundial, não é atoa que o Lula recebe tantos elogios dos grandes governantes e empresários.

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  • Anonymous disse:

    Parabéns ao colega, agônomo.
    Acho que chega desta baboseira pseudo-ecológica(que está mais para ecoterrorismo)!
    Primeiro, que ao dar ouvidos a um bandido como o Stédile estamos estamos apoiando uma "revolução" que já falhou em todo o mundo (comunismo com as coisa dos outros, com as minhas não !) Segundo, que os tranasgênicos não causam mal algum. Só tem benefícios. Ao invés de usar um forte inseticisa e com resultados nem sempre satisfatórios para controlar a lagarta do cartucho, agora a planta vem com uma proteina que mata a lagarta SEM atingir outros insetos (principalmete os inimigos naturais das praga). Se usar um transgênico resistente a um determinado herbicida po usar este herbicida (não sou obrigado) para combater plantas daninhas, evitando assim que aparecam plantas resistentes (o que é normal quendo se usa qualquer herbiciada repetidamente por longos períodos). Quanto ao uso do glifosato, este é muito menos tóxico do que outros herbicidas usados normalmente (é inclusive, menos tóxico que a aspirina !!!… é…) se degrada mais rapidamente no meio e não tem efito residual. Quanto aos cânceres, há 5000 anos antes de cristo os faraós egipsios já morriam com esta doença (quem não sabe a história corree o risco de repeti-la…). Quanto aos orgânicos, em tos destes produtos sãopermitido usar "inceticidas naturais", como o piretro ou a nicotina. Não é por serem "naturais" que eles fazem menos mau (esperimente tomar um gole de veneno de cobre ou mastigar uma folhinha de não-me-toque). Ninguém fala mal dos anti-helmínticos, bactericidas, fungicidas, etc que tomamos quando estamos doentes. " diferença entre o veneno e o remédio estão na dose". Não se deve sair por aí despejando agrotóxicos mundo a fora , sem critério, assim como também não devemos sair tomando remédios sem consultar um médico. Outra coisa, se certos fungicidas não forem usados ou mal armazenados, pode haver a proliferaçao de certo fungos que tem um potencial carcinogênico muito maio que muitos agrotóxicos. Os agrotóxicos, quando aplicados com técnica tem dosagem controladas, já os fungos…….
    selso costa

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  • Anonymous disse:

    So faltou base matematica para esta militontada, pois esta quantidade de defensivos seria 5 vezes maior que a produção nacional de grãos, seria o equivalente a se produzir um kg de soja com 5 kg de glifosado, sendo que o custo por kg de glifosado é de aproximadamente R$ 8.00, então teriamos de custo de defensivo R$ 40,00 por kg de soja, se estamos vendendo esta soja a R$ 0,55, estamos tendo um prejuiso de R$ 39,45 por kg e não é necessrio campanha nenhuma para acabar com os defensivos pois sera com esta matematica os defensivos que acabarão com o agronegocio. Estes militontos aqui não comentam que os maiores consumidores de defensivos são os prequenos produtores na produção de frutas, hortalicas e verduras, e que voce teria que consumir uma tonelada de soja para equivaler com o consumo de um unico tomate produzido pela pequena propriedade rural ou a militontada vai dizer que o tomate é um produto do agronegocio.

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