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O artigo traduzido abaixo, publicado no jornal australiano “The Age”, nos mostra uma das formas utilizadas pela indústria farmacêutica para impor seus medicamentos venenosos e desacreditar suplementos nutricionais e tratamentos alternativos que poderiam salvar vidas.
Pelo menos um artigo submetido a principal revista médica na Austrália nos últimos anos foi escrito por um “escritor-fantasma”, contratado por um companhias farmacêuticas ou de equipamentos médicos, disse o seu editor.

Martin van der Weyden, editor do Jornal Médico da Austrália, pediu uma investigação financiada pelo governo sobre a influência que esta indústria tem sobre sobre os artigos acadêmicos.

No entanto, ele acredita que o problema na Austrália não é nem de perto tão ruim como nos Estados Unidos, onde ocorre um escândalo sobre a extensão dos “escritores-fantasma” nas principais revistas médicas.

Na semana passada, o deputado van der Weyden participou de uma conferência em Vancouver, onde uma surpreendente pesquisa foi apresentada que afirmava que até um em cada 10 artigos publicados em prestigiadas revistas médicas foram escritos por “escritores-fantasmas” patrocinados pela indústria farmaceutica e de equipamentos médicos.

Através de um questionário anônimo on-line respondido pelos autores de 630 artigos, os investigadores descobriram que 7,8 por cento dos autores reconheceram que contribuições substanciais para os seus artigos foram escritos por pessoas que não constam como autores.

A taxa variou de 2 por cento na revista Nature Medicine, até 10,9 por cento no New England Journal of Medicine.

Os autores disseram que o trabalhos escrito por “fantasmas” financiados pela indústria podem resultar em conclusões tendenciosas, que afetam as decisões de tratamento de médicos e atendimento aos pacientes.

Processos judiciais nos EUA descobriram “escritores-fantasmas” em estudos de pesquisas médicas do medicamento Vioxx, que foi retirado do mercado em 2004, devido a evidências ligando-o a ataques cardíacos. E documentos divulgados nos EUA reveleram que a empresa farmacêutica Wyeth havia pago a escritores fantasmas para produzir artigos médicos favoráveis à sua terapia de reposição hormonal Prempro, após um estudo concluir que a droga aumentaria o risco de câncer de mama.

A empresa contratou uma empresa de artigos médicos médica para elaborar a pesquisa, e em seguida, saiu a procura de uma autor acadêmico que apresentaria o artigo como de sua autoria. Os editores da revista PLoS Medicine, que obteve os documentos, escreveu este mês que os “escritores-fantasmas” eram o “segredinho sujo” de publicações médicas e sua presenca tornou-se “generalizada”.

Empresas farmacêuticas, de educação médica, e companhias de comunicação construíram uma vasta e lucrativa indústria de “escritores-fantasmas”, diz o trabalho. Isto resultou na manipulação sistemática e abusiva de publicações acadêmicas pela indústria farmacêutica e seus parceiros comerciais na tentativa de influenciar as decisões dos médicos sobre os tratamentos de saúdede e o público em geral.

“Em que, um leitor cínico poderia perguntar, poderia confiar como sendo verdadeiramente imparcial? A resposta é, que infelizmente, para alguns ou mesmo muitos artigos de jornal, nós não sabemos.”

Van der Weyden disse que as companhias farmacêuticas tem uma influência bem menor sobre as pesquisas na Austrália, mas disse estar alerta para sinais reveladores de sua influência nos artigos apresentados.

“Nós não temos estatísticas sobre “escritores-fantasmas”, mas estou ciente de um caso nos últimos cinco anos que foi detectado durante a apreciação do artigo”, disse ele.

Citando “sigilo autoral”, Van der Weyden se recusou a dizer quem escreveu o artigo ou quando, mas ele disse que foi em uma carta submetida ao MJA (medical Journal of Australia), e o estilo da escrita já teria dado a ver que havia sido elaborada por empresa médica de comunicação.

Fontes:
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